Integração no combate ao crime

Integração no combate ao crime

Por Geraldo Alckmin.

“Nosso poder só aumentará se nos unirmos num sistema integrado entre todos os entes da Federação. O combate ao crime é nossa missão”

Geraldo Alckmin – governador do Estado de São Paulo

O Brasil faz fronteira com dez países, são quase 17 mil quilômetros de difícil controle, pelos quais entram no país drogas, armas e produtos contrabandeados. O resultado desse quadro é tão claro quanto grave: o flagelo do vício que resulta nas tristes ‘cracolândias’ espalhadas pelas grandes cidades e a escalada da violência em diversos Estados. Isso sem contar o impacto econômico.

O crime organizado é uma grande ameaça ao país – e envolve não só o tráfico de drogas, mas o comércio ilegal de armas, o contrabando e lavagem de dinheiro. O mercado ilegal representa 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O Brasil é o maior consumidor de crack e segundo de cocaína do mundo, mas não produzimos essas drogas. Diante da gravidade da questão – e da dimensão continental do país – é urgente e fundamental uma ação integrada de proteção às fronteiras. É preciso atuar com inteligência e com uma ampla base de dados.

O convite do governador Tião Viana para participar do encontro desta sexta-feira, cujo tema é “Segurança Pública e Controle de Fronteiras: narcotráfico, uma emergência nacional” e a presença dos governadores de Estado, de governos de países vizinhos e governo federal no evento mostram que todos compartilhamos do mesmo sentimento:  a integração dos serviços de inteligência é o caminho para o bom combate ao crime.

Neste cenário é que se apresenta a proposta de criação de um órgão com objetivo específico de garantir segurança das fronteiras e o combate ao tráfico: a Agência Integrada de Inteligência, que apresentamos no começo de outubro.

A ideia consiste na integração dos trabalhos da União e Estados: a primeira, por meio de agentes das Polícias Federal e Rodoviária Federal, das Forças Armadas e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já os governos estaduais colaborariam mediante a disponibilização de efetivo de agentes de inteligência e a integração de suas bases de dados. O órgão seria ligado diretamente à Presidência da República e coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional.

A tecnologia tem papel fundamental nessa força-tarefa. É preciso ter drones, satélites, câmeras, ferramentas de monitoramento – e também integrar os dados captados a um sistema compartilhado, permitindo aos Estados criar núcleos de inteligência para trocar e interpretar informações. Isso nos permitiria formar uma ampla base de dados contra o crime, a exemplo do que faz hoje a polícia paulista com o Detecta.

Implantado em 2015, o Detecta é hoje o maior banco de dados da América Latina. Ele abriga os bancos de dados polícias paulistas, além de informações captadas pelas mais de 3.300 câmeras espalhadas pela capital. É tecnologia de ponta no combate ao crime. O sistema já auxiliou na prisão de 5.579 pessoas.

Combater o crime organizado exige do Poder Público uma organização ainda maior. Nosso poder só aumentará se nos unirmos num sistema integrado entre todos os entes da Federação. O combate ao crime é nossa missão e política de governo exigida pela população.

 
Fonte: http://www.oriobranco.net/jornal/data/27-10-2017#oriobranco/pagina2-pagina3

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